Implementação de um olival

1. A Oliveira (Olea Europea)

Originária de uma região geográfica que engloba vários países da costa do Mediterrâneo, a oliveira é uma cultura milenar que nas últimas décadas está sendo retomada com o incremento do uso do azeite de oliva em países de alto nível econômico e na dieta das pessoas interessadas em suas qualidades organolépticas e seu uso saudável. Tradicionalmente encontra-se entre as latitudes 30º e 45º, tanto no hemisfério norte como no sul, em regiões climáticas do tipo mediterrâneo. As zonas de maior difusão da oliveira caracterizam-se por Invernos suaves com temperaturas mínimas de -6ºC ou -7ºC e Verões secos e com altas temperaturas.

O maior produtor a nivel mundial é a Espanha seguida de diversos outros países mediterrâneos. Porem, a África do Sul, a Austrália, a China, o Japão, os E.U.A e alguns países da América do Sul (Argentina, Chile, Uruguai, Brasil) estão gradualmente incorporando a olivicultura.

A expansão da olivicultura no mundo apresenta o surgimento de plantações em países onde nunca antes havia existido como Chile e Uruguai. No caso específico do Brasil a climatologia possibilita oportunidades e ameaças que devem ser avaliadas cuidadosamente. O índice pluviométrico local possibilita plantações sem o uso de irrigação tecnificada e consequente economia inicial e operativa. Por sua vez, as variações de temperatura permitem a obtenção de azeites de primeira qualidade por suas características analíticas e organolépticas. No entanto, em algumas regiões poderá haver alguns problemas agronômicos, os quais necessitarão um manejo muito especial. Porém, com um acompanhamento profissional o Brasil poderá deixar de ser o único país consumidor com capacidade produtiva mas sem produção.

2. A oliveira no Brasil

Segundo reza a história, na antiguidade a maioria dos olivais no Brasil foram plantados nas proximidades de igrejas, tendo em vista as comemorações do “Domingo de Ramos”. Além das oliveiras plantadas pelos padres ou por fazendeiros, a título de curiosidade, fizeram-se pequenos olivais no período colonial. No entanto, foram eliminados por ordem da realeza portuguesa, pois não queriam que seus produtos sofressem concorrência no Brasil, o que impediu que a olivicultura tomasse impulso no país durante o período colonial.

Atualmente, existem áreas com plantios comerciais nos estados do Rio Grande do Sul Minas Gerais e Santa Catarina. Dos diferentes climas que se podem encontrar no Brasil, o Rio Grande do Sul é o estado que parece ir mais ao encontro das necessidades climáticas da oliveira.

Os olivais até hoje implantados no Brasil ainda não têm expressão frente ao crescente consumo de azeite de oliva no Brasil. Enquanto na Europa e E.U.A o consumo per capita chega a 15 litros, no Brasil temos apenas 150 ml. Contudo, o brasileiro começa a se interessar pela qualidade do azeite que consome. Escolher um bom azeite não é tarefa difícil, mas é preciso que o consumidor esteja atento a alguns detalhes. Finalmente a comercialização do produto foi regulamentada pelo Conselho Oleicola Internacional (COI). O azeite extravirgem é o de qualidade melhor e deve ter acidez máxima de 0,8%, entre outros parâmetros regulamentados pelo COI.

Por fim, a cultura da oliveira já é uma realidade no país disponibilizando uma oportunidade de negócio excepcional. A indústria do azeite está em plena expansão e disponível para oferecer os serviços necessários para o desenvolvimento de quaisquer projetos. O Brasil é o principal consumidor do continente e o segundo importador do mundo. Desta forma, os pioneiros na produção nacional irão encontrar um mercado ávido para consumir seus azeites com margens comerciais únicas no mundo. Contudo é imprescindivel a experiência e conhecimento a fim de orientar adequadamente e ser bem sucedido na implantação de olivais no Brasil.

3. Olival intensivo vs superintensivo

Plantio intensivo

O modelo intensivo trata-se de um investimento a longo prazo, sendo que a primeira colheita se dá ao terceiro ano. O projeto alcança o ponto de equilíbrio no quarto ano e o retorno do investimento ocorre com dez anos, podendo manter a produção por tempo indefinido.

É a evolução natural do plantio tradicional com redução do espaçamento de plantio que permite aumentar de 100 a 300 árvores por hectare. É viável em lugares com irrigação tecnificada ou com índices pluviométricos como os do Brasil. A formação da árvore é em copa buscando-se a máxima superfície de insolação. As árvores adultas estabilizam sua produção em torno de 40-50 Kg/ano. Permite o plantio de todos os tipos de variedades e confere melhor resistência ao ataque de pragas e doenças, ainda que os tratamentos sejam imprescindíveis para a obtenção de altos níveis de produção. A poda é totalmente manual e a colheita semi mecanizada mediante o uso de vibradores de tronco, requerendo em torno de 20 pessoas para colheita de 20.000 kg/dia.

Plantio superintensivo

Com o modelo superintensivo ocorre um significativo adiantamento dos prazos, alcançando-se o ponto de equilíbrio no quarto ano e retorno do investimento no sétimo ano, existindo experiências positivas de cultivos em produção constante com idade de quinze anos.

É um sistema de plantio revolucionário idealizado pela Agromillora há 20 anos. Consiste no plantio de um número muito superior de árvores por hectare, entre 1000 e 2000, para formar renques. Só se podem utilizar variedades pouco vigorosas como Arbequina, Arbosana e Koroneiki. Mediante a poda se limita o tamanho da árvore ocorrendo produção máxima de 7-10 kg/ano. Esta produção se consegue entre o terceiro e quarto ano de produção, adiantando-se em cinco anos a maturidade produtiva do pomar. Além desta vantagem , o sistema superintensivo permite a mecanização integral da colheita e poda, podendo atingir a marca de 30.000 Kg/dia com auxilio de apenas 3 pessoas. Este tipo de plantio requer uma atenção permanente para preservar seu estado sanitário, cuidados mais intensivos e preventivos em comparação as plantações intensivas. O custo de implantação por hectare é mais elevado. No entanto, esta não é uma boa alternativa a implementar no Brasil, dadas suas condições climáticas propicias ao aparecimento de certas doenças, mais dificeis de controlar com este sistema.

4. Etapas de implementação

Dadas as condições climáticas do Brasil, algumas das quais a oliveira nunca experimentou, acreditamos que é imprescindível que os olivicultores brasileiros recorram a um apoio técnico profissional e experiente. A oliveira é uma árvore muito nobre que desde sempre se cultivou em solos pobres e em zonas áridas. No entanto, necessita sempre de um acompanhamento frequente e conhecedor, principalmente em climas que não o mediterrâneo.

Os serviços oferecidos pela Olivo Noble Services são:

Trabalhos prévios ao plantio

  • Determinação da área útil a plantar
  • Determinação da profundidade útil do solo
  • Interpretação de análises de solo e água
  • Determinação dos trabalhos preparatórios do terreno
  • Determinação do sistema de plantio
  • Seleção do sistema de rega
  • Determinação do espaçamento de plantio
  • Proposta da (s) variedade (s) de oliveiras a plantar
  • Selecção do material vegetal

Plantio

  • Controle dos trabalhos de traçado e sinalizações no terreno
  • Treinamento da mão-de-obra
  • Definição e programação da zona de recepção das plantas
  • Consulta, elecção e acompanhamento da instalação do sistema de irrigação
  • Gestão e controle do plantio definitivo

Trabalhos agrícolas

  • Definição, programação e controle dos planos mensais de irrigação
  • Definição, programação e controle dos planos mensais de fertilização foliar, adubação de solo e fertirrigação
  • Definição, programação e controle dos tratamentos com insecticidas e fungicidas
  • Consulta e controle a nível dos tratamentos com herbicidas
  • Programação dos trabalhos de campo
  • Acompanhamento da poda de formação, com preparação das equipas de trabalho e inclusão de aulas práticas de treino e capacitação do pessoal
  • Monitorização geral do desenvolvimento do plantio, que permita o melhor crescimento das árvores
  • Capacitação e preparação dos quadros médios e da equipa especializada na colheita, tanto manual como mecânica

Outros

  • Planificação da fase industrial
  • Planificação da política comercial
  • Visitas a plantações na Espanha, Chile e Uruguai